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02/12/2008 às 12h16
Jota Quest lança novo trabalho
Uma levada mais puxada para o pop rock, sem esquecer a linha de contrabaixo e bateria voltada para o funk ao melhor estilo Toni Tornado e Tim Maia. É com essa mistura bem casada que o novo trabalho do Jota Quest pode ser definido. "La Plata" é o oitavo trabalho da banda e chega às lojas na primeira semana de novembro. Lançado pela Sony BMG e produzido por Liminha, o novo CD traz composições em parceria com Nelson Motta, a dupla paulistana Click Box e Ashley Slater, um dos criadores da banda inglesa Freak Power.
Em "La Plata", o fã atento percebe também timbres eletrônicos nos arranjos. Segundo o tecladista Marcio Buzelin, isso foi possível pois o disco foi gravado e mixado em Belo Horizone, no estúdio Minério de Ferro, que pertence à banda. "Montamos esse estúdio e tivemos a chance de inaugurá-lo nas gravações desse oitavo trabalho. Foi muito bom, pois pudemos gravar com calma, fazer todas as experiências possíveis para deixar o som da forma que queríamos", explica Marcio. Na entrevista a seguir, o tecladista conta mais detalhes sobre influências, gravações, turnês e curiosidades do mais recente trabalho da banda mineira.
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Gustavo Godinho: Dê uma prévia do que foi a gravação de "La Plata". Como é o ambiente ao gravar em um estúdio próprio?
Marcio Buzelin: É uma experiência única. Sem dúvida, é uma rotina mais relaxante, pois os músicos não trabalham naquele sistema de taxímetro ligado. Isto é: quanto mais demorarem para finalizar, mais caro o álbum sairá. Construímos o Minério de Ferro e tivemos a oportunidade de estreá-lo nas gravações do "La Plata" e isso refletiu, sem dúvida, na sonoridade. O Marco Túlio teve a oportunidade de testar diversos timbres de guitarras, o Rogério Flausino gravou diversos vocais e melodias diferentes. Tudo foi muito mágico e fluiu com bastante sentimento. Prova disso é que para chegarmos às 13 canções que formam esse novo trabalho, compusemos por volta de 50 melodias diferentes. Compunhamos e gravávamos para depois fazer a seleção das músicas que eram mais bacanas. Prova de que ficamos bem à vontade nessas gravações são as músicas "Lap Top" e "So Special". Fizemos cinco versões de cada uma antes de chegarmos nas definitivas. Acho que com isso, quem ganha mais é o fã.
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Gustavo Godinho: Tanto a capa do "La Plata" como a música homônia soam como uma forte crítica ao capitalismo. De onde veio isso?
Marcio Buzelin: O Jota Quest sempre foi uma banda que fez algumas críticas sociais. Sempre damos algumas alfinetadas em problemas, mas fazemos isso ao nosso modo. A música "La Plata" e a capa do disco não são críticas contra o dinheiro, contra o capitalismo. O que tentamos passar é para que as pessoas abram os olhos para os valores que elas carregam pela vida. Não abrir mão de um sonho por causa de dinheiro, entende? Essa é a nossa crítica.
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Gustavo Godinho: Fale um pouco sobre as faixas do "La Plata".
Marcio Buzelin: Bem, esse novo disco abre com a faixa homônima, que é nossa atual música de trabalho. "La Plata" foi uma das últimas canções a serem escritas e fomos tomando gosto por ela na reta final de produção. Quando reparamos na música, percebemos que ela tinha que estar nas rádios. Ela é uma canção que tem partes sampleadas de "This Is Soul", de Paul Nero. Já "Paralelepípedo" é uma canção com uma levada baseada na métrica da letra e nos graves do baixo, com uns efeitos eletrônicos, o que a torna bem bacana e desafiadora, pois é uma forma nova de se fazer música. Outra que gosto bastante é a balada "Único Olhar", que deixa um clima bem romântico no ar. Todas as faixas são bacanas. Citei essas com sampler para os fãs sentirem o feeling da gravação desse novo trabalho, para eles entenderem que apesar do pop rock estar bem característico, existe também bastante influência eletrônica. Colocamos tudo no liquidificador e o nosso produtor Liminha deixou tudo redondinho (risos).
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Gustavo Godinho: Por falar em produção, como é trabalhar com Liminha?
Marcio Buzelin: Ele já trabalha com o Jota Quest há muitos anos e nós o consideramos bastante. O Jota Quest é uma banda com cinco membros que criam coisas totalmente diferentes, baseadas nas nossas influências. O Marco Túlio vem com um riff pesado de guitarra, o PJ traz um funk cheio de groove e eu crio algumas bases eletrônicas no teclado. A grosso modo fica difícil processar isso, mas o Liminha consegue. No "La Plata", a banda o ajudou na produção, pudemos dar mais palpites. A fase final de produção e mixagem desse trabalho foi bem gostosa de fazer.
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Gustavo Godinho: Esse novo trabalho é recheado de participações e parceiras. Fale um pouco delas.
Marcio Buzelin: A primeira que quero mencionar é a parceria do Jota Quest com Nelson Motta. Sempre que nos encontrávamos nas noitadas da vida, o convidávamos para escrever alguma letra para a gente. Um dia, Nelson estava em Belo Horizonte promovendo o livro do Tim Maia e apareceu no nosso estúdio, para conhecer. Ficamos felizes e começamos a tocar todas aquelas 50 "canções-experiências" que já haviamos gravados. Ele gostou de duas e ficou combinado que Motta escreveria as letras em cima de uma melodia de voz criada pelo Rogério Flausino. Em duas semanas as letras chegaram no e-mail pessoal de Rogério. Uma das canções é "Ladeira", que contém um sample de "This Is What you Wanted", de Byron Byrd, o que a deixa com um ar bem soul music retrô. A outra música em parceira com Nelson ainda não usamos, mas está prontinha, como um ás na manga. A segunda parceria rolou de um convite por e-mail do PJ para Ashley Slater, que curtiu o nosso som e aceitou na hora. Ele chegou no nosso estúdio e de músicas improvisadas e experiências de timbres nasceu "Hot To Go". Ele também cantou "So Special", que saiu no bônus track. Já a terceira participação ficou por conta da dupla paulistana de produtores de música eletrônica Click Box. Eu estava trocando e-mails com eles há tempos e quando surgiu essa oportunidade, eles viajaram até Belo Horizonte e ficaram na minha casa, onde criamos uma série de batidas eletrônicas e aproveitamos em "So Special".
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Gustavo Godinho: E as turnês. Vocês pararam para gravar "La Plata"?
Marcio Buzelin: Paramos nada. Gravamos esse disco em intervalos. Isso é mais um benefício de ter um estúdio próprio. Você pode gravar quando tiver tempo. Estávamos na estrada com a turnê antiga, gravamos "La Plata" e ainda continuamos na estrada, dividindo-nos entre divulgação e shows. Temos datas por todo o Brasil e não temos vontade de dar uma pausa em show. Acho que a coisa que o Jota Quest mais gosta de fazer é tocar para os fãs.
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Gustavo Godinho: Qual é a diferença do show antigo para esse novo, de divulgação de "La Plata"?
Marcio Buzelin: Além do repertório, mudamos o cenário de palco. Haverá integração do cenário com tecnologia, com telões, várias TVs de plasma. Quem produzirá essa nova fase da turnê é uma empresa gringa chamada Mute. Ela que produziu os shows do Moby durante muito tempo. Os fãs verão mais que as músicas, terão um espetáculo completo. Sairão do nosso show com a sensação de que o ingresso valeu a pena, de que foi um grande espetáculo. O Jota Quest sempre procurou dar o melhor possível aos fãs.
creditos::
(Por Gustavo Godinho)
(Por SUCESSO e-mailing)
muito gratos !